Por que eu (ainda) não volto para o Brasil?

Taupo, na Nova Zelândia
Taupo, na Nova Zelândia

Quando alguém me pergunta sobre o  Brasil, não me faltam elogios para descrever essa terra maravilhosa e a conversa termina geralmente com a questão: se é tão bom assim, por que você saiu de lá? Bom, estar longe sempre dá essa ideia fantasiada da realidade. Conheci um casal de brasileiros no Vietnã que morava há cinco anos na Inglaterra e disse: “a gente quer formar uma família, ter filhos, mas primeiro voltar para o Brasil (…)”. Uma outra amiga que já vive fora há quase quatro anos sempre diz “um dia quero voltar”. E eu fico com a cara verde e amarela ao falar de tudo que quem nunca foi pode encontrar lá.

Para alguns amigos, largar tudo e mudar para Austrália foi loucura minha, outros apoiaram, mas não fariam o mesmo. A mesma divisão de apoio e crítica quando a discussão é em família. Muitos questionamentos, acusações e chantagens emocionais, sabe como é. Foi há alguns dias que uma luz de realidade tomou conta do meu pensamento. Um primo de longe, não o conhecia, estava chegando na casa dele de carro, foi abordado e assaltado. Descobriram que ele era guarda municipal e decidiram que ele deveria morrer. Daí uma amiga contou que roubaram as rodas do carro de um parente dela e que o namorado havia sido sequestrado não sei quantas vezes.

Isso me fez lembrar de quando fiz surpresa para os meus pais e cheguei para passar o Natal de 2015 em casa, depois de mais de um ano e meio fora. Estava tudo diferente e minha mãe contou que meses antes haviam entrado lá e levado um montão de coisas, de roupas a eletrodométiscos. Me lembrei também que na noite de Natal o irmão da minha tia foi assaltado e espancado. Aqui onde eu moro não tem portão, não tem fechadura, alarme, ou câmera de segurança. Pode sair à noite sozinha e andar com o celular na mão. Não precisa colocar o dinheiro no tênis ou a bolsa embaixo do banco.

Bom, mas eu moro bem no interior da Austrália, e vivi minha vida entre as ruas do ABC e São Paulo, a maior cidade do Brasil, então não seria justa essa comparação. Decidi juntar alguns números para fazer sentido. Em 2014, foram registrados 59.627 mil homicídios no Brasil, o equivalente a 29,1 para cada grupo de 100 mil habitantes. Sabe quantos casos ocorreram na Austrália em 2013? 273. Daí você pode pensar: Ah! mas o Brasil tem mais de 200 milhões de habitantes, contra apenas 23 milhões na terra dos cangurus. Porém, a proporção de homicícios por 100 mil habitantes na Austrália foi de 1,2. Quer dizer que aqui estou 24 vezes mais segura.

O PIB per capita no Brasil é de USD 11.2 contra USD 67.4 na Austrália; a expectativa de vida do brasileiro alcança 73 anos, dez a menos do que o esperado para os australianos; pouco mais de 44% da população que pode trabalhar tem emprego no Brasil, sendo que na Austrália o índice passa dos 70%; apenas 24,56% dos brasileiros cocluíram o Ensino Médio, contra mais de 70% na Austrália; em uma lista de países menos corruptos, a Austrália ficou em 11º lugar  e o Brasil em 69º; e a lista é longa. Vai tão longe que acaba com o sabor da melhor comida do mundo, com a alegria das famosas festas e clima acolhedor do povo que só o Brasil tem.

Como muitos que deixaram “a casa” por um lugar melhor, também guardo o desejo ilógico de um dia voltar.

QUER AJUDA PARA SUA PRÓXIMA VIAGEM?

QUER AJUDA PARA SUA PRÓXIMA VIAGEM?

Entre em contato, opine e participe com sugestões para o blog

Sending

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *