Subemprego e a história de lavar privada em outro país

img_1092“Lavar privada em outro país…” Você já falou, ouviu ou conhece alguém que tenha, certo? Seja com entusiasmo ou reprovação, a expressão se refere a pessoas que deixam a vida no país, para trabalhar em diferentes áreas em outras terras, na maioria das vezes empregos que jamais aceitariam no Brasil. E essa decisão geralmente não tem nada a ver com uma vida difícil ou carreira falida, mas é uma escolha que envolve abrir mão do status “diplomado” e encarar o subemprego sem preconceito por um bem maior, seja lá qual ele for.

Digo “sem preconceito” pois brasileiros (não todos, mas muitos) têm essa ideia de que empregos não qualificados são motivo de vergonha. E essa cultura não é universal! Em muitos países da Europa, na Austrália e na Nova Zelândia, por exemplo, essa divisão de “linhagem” entre diplomados e não-diplomados não existe. A definição de subemprego é: “qualquer trabalho sem qualificação, de remuneração baixa ou informal”. Acontece que em países com alto nível de desenvolvimento econômico, a “remuneração baixa” é suficiente para uma vida com qualidade.

Conheci uma engenheira que tinha uma bela carreira no Brasil, largou tudo e foi para a Nova Zelândia. Na época, ela estava trabalhando como faxineira e disse que não poderia estar mais feliz. Não sofria pressão no trabalho, tinha mais qualidade de vida e todas as mordomias que possuía com o salário de engenheira no Brasil. Alguns diziam que ela era louca… mas será? Tenho visto várias histórias parecidas com a dessa moça, de profissionais bem sucedidos que vão “lavar privada em outro país”.

Eu, quando fiz minha viagem para Nova Zelândia, trabalhei como garçonete, babá, pedindo doações para caridade, em lanchonete, etc. Eu até gostava dos trabalhos, apesar de sempre me bater a saudade do jornalismo, mas a questão é que minha renda nesses subempregos não deixavam nada a desejar. Pagava meu aluguel, minhas viagens, diversão aos finais de semana e, como a Nova Zelândia é um país com qualidade de vida altíssima, vivia bem. Mesmo assim, a ideia de que estava abandonando a carreira, jogando fora os anos de estudo e conhecimento nunca me deixou mergulhar de cabeça.

É claro que jornalismo é uma profissão que envolve muito mais amor do que dinheiro, né? Mas pensando de uma forma mais geral, até que ponto o “apego ao diploma” é válido? O que vem primeiro: status ou realidade?

6 thoughts on “Subemprego e a história de lavar privada em outro país

  1. Oi Thais!
    Gostei muito do seu post.
    Eu tenho 21 anos e estou terminando meu curso técnico em mecatrônica.
    Meu planejamento de vida é ir para NZ no final de 2017 para estudar a língua inglesa e trabalhar. Com o dinheiro que prendendo juntar neste quase 1 ano prendendo ficar no mínimo 4 meses neste país. Conseguindo um emprego (empregos que não necessite de qualificação, podendo ser limpando privada, é como você disse: sem preconceito por um bem maior) vou continuar com o meu curso de inglês e depois um técnico.

    1. Oi Larissa, tudo bem? Obrigada por acompanhar o blog! E muito bom os seu plano! É isso aí, pensa lá na frente, qual é o seu objetivo e pula de cabeça para conquistá-lo, né? Trabalho é trabalho 🙂

  2. Excelente post! Principalmente no que diz respeito ao “apego ao diploma”.

    Uma amiga, casada, com filha, pós graduada na área de marketing, decidiu largar tudo e ir morar na Alemanha. Hoje trabalha como vendedora na rede TJX meio período e não podia estar mais feliz! Além da qualidade de vida no país, tem tempo para dedicar a sua filha pequena e ela diz que o melhor é a tranquilidade ao final do expediente, ou seja, bateu o crachá seus problemas na loja acabaram, vai para a casa tranquila sem se preocupar com prazos, relatórios, reuniões estressantes e etc…
    Apesar dos diplomas, cursos do Brasil está tranquila e pouco se preocupa com a “reprovação/preconceito” de seus “amigos” brasileiros…

  3. Estou curtindo ler suas materias.
    Comentando deste post e juntando ao de Mount.
    Estou planejando ir para la em setembro (passar primavera/verão). Por ser uma cidade menor, vc acha que consigo emprego (esta qualquer subemprefo, faço coxinhas/brigadeiro pra vender se necessário). Você conheceu alguem que morou ou ainda mora por la? Auckland ate é uma opção, mas é uma cidade mto grande ao mesmo tempo que tem emprego, tem mtas pessoas a procura, e gostaria de estar mais pé na areia mesmo.
    Veja se consegue me dar umas dicas (obs. meu ingles é fraco, neste tempo que estarei la irei estudar tbm)

  4. Como é praia e será alta temporada, acredito que encontrará mais vagas de emprego. Um ponto importante é ter o visto que te permita trabalhar, (você vai como estudante?), e conseguir se comunicar. Não tenho ngm próximo que tenha ido para ficar em Mount, mas sei que existem vários brasileiros morando lá, você vai encontrar um certeza :).
    Minha dica é: esteja aberta para as oportunidades de emprego, faça um CV e vá falar com os gerentes do estabelecimento mostrando que você quer trabalhar e é esforçada

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