Exploração animal: 5 lugares para deixar fora do seu roteiro

Macaco trabalhando em Jakarta, na Indonésia (Foto: pix77)
Macaco trabalhando em Jakarta, na Indonésia (Foto: pix77)

Viajar é conhecer a cultura e beleza natural de um destino. É claro que isso inclui a fauna e flora local. Cabe a nós, turistas, ter a diferença entre “conhecer” e “explorar” bem esclarecida.  Uma foto beijando golfinho pode ser fofa , mas é o que há por trás dela que devemos estar conscientes.  Se você navegar pelo meu blog, verá que há alguns anos eu tirei a famosa foto com golfinho, assim como fui ao zoológico na Argentina em que visitantes podem tirar selfie ao lado de leões e tigres de uma amistosidade questionável.

Hoje penso diferente, parte da minha ignorância se foi e acredito que explorar animais é de uma prepotência absurda que só seres humanos têm. Afinal, topo da cadeia alimentar, né? Podemos tudo.  Tiramos tartaruga marinha de seu habitat natural para satisfazer o desejo de uma “selfie”, fotografamos um filhote de golfinho morto sem qualquer respeito, matamos elefantes de exaustão, confinamos animais aquáticos como escravos, reduzindo o tempo de vida deles, e até quebramos leis para caçar cruelmente um dos animais mais simbólicos da natureza.

Pensando nisso, separei uma lista com cinco lugares que você deve pensar duas vezes antes de visitar:

Zoo Lujan, na Argentina, em 2013 (Foto: Thaís Sabino)
Zoo Lujan, na Argentina, em 2013 (Foto: Thaís Sabino)

Zoo Luján
Esse é o famoso zoológico na Argentina que promete experiências como abraçar leões, dar mamadeira para tigres e alimentar elefantes. Mas quem já foi vai concordar que é visível o tratamento que esses animais recebem lá. Mal se movem, têm um olhar perdido e letárgico, não reagem e se todo o comportamento amistoso não estiver relacionado a altas doses de tranquilizantes, deve existir algo pior. Na época em que estive lá, a explicação dos cuidadores foi que os animais cresceram convivendo com cachorros e issso deu a eles um novo tipo de relação com o humano, ou seja, mais doméstica.  O leão estava com feridas na pele e tão magro que as costelas eram visíveis, já a leoa mal conseguia ficar acordada. Se você não foi, não vá. Se já esteve lá, não recomende.

Templo dos Tigres
A atração localizada em Kachanaburi, a 165 quilômetros de Bangkok, já foi alvo de várias denúncias por maus-tratos e até por tráfico de animais. No templo budista, visitantes podem tirar foto com tigres e alimentar os felinos ainda filhotes. Os monges foram acusados de dopar os animais e tigres já foram retirados do templo por ilegalidades. A história segue a mesma linha do zoológico na Argentina e faz com que aquela foto ao lado de um dos felinos mais bonitos do mundo animal não fique tão encantadora assim, não é mesmo?

Tilikum, orca capturada filhote nos anos 1980. O animal mais famoso do Sea World (Foto: Divulgação)
Tilikum, orca capturada filhote nos anos 1980. O animal mais famoso do Sea World (Foto: Divulgação)

Sea World e shows aquáticos
Finalmente, após anos de luta entre ativistas e uma das redes de parques mais conhecidas do mundo, em 2016, o Sea World extinguiu os famosos shows com orcas. As apresentações, que “ficaram em cartaz” por três décadas e foram vistas por mais de 400 milhões de pessoas, acabaram substituídas por outro programa, que ainda envolve orcas. Você assistiu o documentário Blackfish? Caso não, assista. Ao longo dos anos, vários acidentes aconteceram nos parques, treinadores morreram, orcas apareceram feridas e denúncias sobre como manter orcas em cativeiro afeta a vida do animal foram feitas. A decisão do parque veio após o adoecimento da orca mais famosa da história do parque, Tilikum, capturada nos anos 1980. Os animais trabalhavam diariamente e passavam a noite confinados em espaços pequenos; a expectativa de vida de orcas em cativeiro é reduzida. Isso serve para qualquer parque que trabalhe com animais aquáticos. Por mais que saltos, acenos e espirros impressionem o público, os bastidores não são tão mágico assim…

Passeios  de elefante na Ásia
O que faria animais gigantes como os elefantes se redenrem a humanos e carregarem turistas por quilômetros em passeios diários? No norte da Tailândia, principalmente nos arredores de Chiang Mai, e no Camboja os passeios em cima de elefantes, assim como “dar banho” nos paquidermes, são atrações famosas. O que pouca gente se pergunta, porém, é como esses animais são tratados, como são “domesticados” e o quanto são explorados pela indústria do turismo.  Em abril de 2016, a elefanta Sambo, 50 anos, morreu após carregar turistas sob calor de 40°C no Camboja. Na Tailândia, existem casos de ataque a treinadores e turistas devido ao estresse ao qual esses animais são submetidos.  Os elefantes não são naturalmente amigáveis, eles estão entre os animais mais perigosos do mundo: pesam entre quatro e seis toneladas, podem correr a 40km/h, têm alta capacidade de faro e audição.

Elefante teve colapso após carregar turistas sob calor de 40°C no Camboja (Foto: Yem Senok/Facebook)
Elefante teve colapso após carregar turistas sob calor de 40°C no Camboja (Foto: Yem Senok/Facebook)

Macacos na Indonésia
Eles imitam humanos, usam máscaras e roupas, dirigem bicicletas e desenvolvem diferentes truques para tirar trocados dos turistas. A prática acontece em toda Indonésia, mas o local mais famoso, que ficou conhecido como Vila dos Macados, é o bairro Kampung Cipinang Besar, em Jakarta. Se eles estivessem felizes com o “emprego” não precisariam ficar acorrentados pelo pescoço, não é mesmo? E como é o sistema de aprendizado desses animais? O que eles recebem em troca depois de passar horas em pé imitando humanos ou indo de um lado e outro puxados pelo pescoço? Nada além de uma jaula, pois são vistos como ferramenta de trabalho.

De acordo com um estudo divulgado pela Oxford University em 2015, 4 milhões de turistas contribuem com abusos contra animais silvestres por ano. Dos animais usados nas centenas de instituições turísticas, entre 120 e 340 mil são obtidos de forma ilegal ou irresponsável.

10 thoughts on “Exploração animal: 5 lugares para deixar fora do seu roteiro

  1. Não poremos esquecer dos dromedários explorados no Rio Grande do Norte!!! O ser humano é lamentável…

  2. Muito no post. Outro passeio que não recomendo as pessoas fazerem é o de golfinhos e arraias da República Dominicana. Quando fui lá a guia ficou insistindo pra que eu fizesse o passeio, mas eu fiquei preocupada e perguntei se não era perigoso nadar com as arraias, já que elas possuem um ferrão na cauda que pode ser mortal. Ela, com a maior naturalidade, riu e disse que não tem problema porque os ferroes são retirados dos animais pra evitar o risco. Um passeio totalmente desnecessário.

  3. Acho que se devia fazer uma campanha maciça contra esse tipo de turismo e os zoológicos tb!!Afinal os animais devem viver livres!!!!Sempre!!!!

    1. Concordo 100% Cyntia. Mesmo que o dinheiro ainda mova muitas empresas a venderem esse tipo de “tour”, se cada um fizer a sua parte para conscientizar as pessoas sobre como esse tipo de turismo é exploração animal e como os bastidores são tristes, a mudança vai acontecer!

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