Argentina: Buenos Aires, Puerto Madryn e Ushuaia em 20 dias

Palermo, em Buenos Aires
Palermo, em Buenos Aires

Eu sempre fui de passar semanas, às vezes meses, programando uma viagem até ela realmente acontecer. Vasculho sites, blogs, vídeos e todo tipo de informação possível para definir os lugares que quero conhecer, quanto vou gastar, como posso economizar e como me virar no local. Tive tanto tempo para programar o meu mochilão pela Argentina de 20 dias, que cheguei até a encadernar a programação. Coisa de doido, eu sei. Minha rota teve início em Buenos Aires, passou por Puerto Madryn, na Patagônia, e terminou em Ushuaia. Com exceção do trecho Ushuaia Buenos Aires, fiz tudo de ônibus.

Dia 1: Chegada a Buenos Aires
O voo partindo de São Paulo é curto, mas aconselho reservar o primeiro dia na capital portenha para deslocamento, ajuste na hospedagem e uma caminhada nas redondezas para conhecer o local. No meu caso, fiquei hospedada no hostel Obelisco, na rua Corrientes, no centro da cidade e ao lado do metrô. Se você quer economizar, é importante escolher uma acomodação de fácil acesso ao transporte público. Recomendo algo nos arredores da rua Florida.

Depois de me instalar, almocei na Praça de Mayo, a principal do centro da cidade e ponto turístico famoso de Buenos Aires, e aproveitei para passar pela Casa Rosada, a sede da Presidência da República em Buenos Aires.

Dia 2: Caminhando por Palermo
Dediquei o segundo dia para desbravar o bairro requintado de Palermo. Minha primeira parada foi no Parque Três de Fevereiro, a área verde mais importante da cidade, conhecida como “os bosques de Palermo”. É lá também onde está o Jardim Japonês, um ponto turístico famoso de Buenos Aires, que combina plantas, pontes e elementos compostos em harmonia. O jardim foi construído em 1967, quando o então príncipe-herdeiro do Japão, o Akihito, visitou o país.

Além de curtir a paisagem natural, o espaço conta com centro cultural e restaurante, então, você pode aproveitar o dia todo por lá. Saindo do parque, fui a Palermo Viejo, onde a noite portenha acontece. O bairro é cheio de cafés e restaurantes descolados, além de baladas para quem gosta de curtir a night. Um aviso: as baladas em Buenos Aires começam tarde e se estendem até o meio da manhã: precisa ter energia.

Dia 3: Zoo Lujan
Se eu fosse voltar à Argentina hoje, certamente esse zoológico não estaria na minha lista. Não por não gostar do passeio, mas pela incerteza de como os animais são tratados lá. Esse é o zoológico na Argentina em que os visitantes podem entrar nas jaulas de leões e tigres. O local funciona diariamente e existem ônibus que partem da avenida Sarmiento, próximo à estação da Plaza Itália, que vão até lá. O trajeto é longo e passei o dia todo no passeio.

Dia 4: O bairro do futebol
No quarto dia, visitei o estádio La Bombonera, onde você pode até tirar uma foto segurando um dos troféus. Passei pelo Museo de Pasion Boquense e o Museo de Cera La Boca. Peguei metrô e ônibus para chegar ao bairro La Boca. Dois avisos: a entrada para conhecer o estádio é paga e fique atento ao caminhar por La Boca, pois o bairro não é dos mais seguros de Buenos Aires.

Caminito, em Buenos Aires, na Argentina
Caminito, em Buenos Aires, na Argentina

Dia 5: A cultura argentina em Caminito
Você não pode ir embora de Buenos Aires sem conhecer essa ruela peculiar, com casinhas coloridas, restaurantes típicos, apresentações de tango na rua e artesanato local para vender. Caminito também é acessível por transporte público e fica perto do La Bombonera: dá para ir a pé, caso você não se importe de caminhar um pouco. Aproveite para degustar um vinho argentino e provar um delicioso alfajor.

Para fechar com chave de ouro o mergulho na cultura portenha, reservei com a agência de passeios do próprio hostel um jantar em uma das casas de tango de Buenos Aires – existem várias – com direito a transporte, apresentação, comida à vontade e aula de dança. Diversão garanida!

 Dia 6: Navegando pelo rio Tigre
O rio Tigre é uma das atrações do entorno de Buenos Aires. Você pode tanto comprar o tour completo em uma agência de viagem, como chegar até lá de trem e acertar o passeio de barco direto no local. No caso da segunda opção: pegue o trem na estação Retiro e desça na La Lucila. Do centro de Buenos Aires, o trajeto leva cerca de 40 minutos.

A maioria das noites jantei no hostel, para economizar. Mas andar é de graça, né? Recomendo uma ida ao bairro nobre Puerto Madero, às margens do rio da Prata, seja para jantar, tomar um chope ou só admirar a noite e como a região fica iluminada por lá.

Dia 7: Despedida de Buenos Aires
O cemitério do bairro Recoleta é famoso por suas “lápides” enormes e trabalhadas, que chegam a ser até uma forma de arte. Opte por visitar o cemitério pela manhã, é mais vazio e você não corre o risco de chegar tarde demais, quando as portas já estiverem fechadas. Aconteceu comigo…

De qualquer forma, ganhei o dia visitando o bairro San Telmo, um lugarzinho boêmio, onde estão localizadas várias lojas de antiguidades e decoração, além da feirinha que acontece no fim de semana e se estende por muitos – mas muitos, mesmo – quarteirões e você encontra todo tipo de coisa, a preço bom, para comprar.

Uma das desvantagens sobre viajar de ônibus é o tempo perdido no trajeto. Procure sempre comprar passagens para viagens noturnas, assim você economiza em estadia e não perde tempo que poderia estar aproveitando para conhecer lugares. Eu viajei para meu segundo destino pela companhia Andesmar, o ônibus partiu do terminal Retiro às 19h e chegou às 13h30 em Puerto Madryn.

Dia 8: A praia de Puerto Madryn
Entre as acomodações que pesquisei, pesando localização e preço, a que mais valeu a pena foi no hostel El Gualicho, no centro da cidade e a poucos metros da praia. Aproveitei para curtir a praia de Puerto Madryn no primeiro dia na cidade e conhecer o Ecocentro, um local para observação da paisagem, com informações sobre a fauna local.

Punta Loma, em Puerto Madryn, na Argentina
Punta Loma, em Puerto Madryn, na Argentina

Dia 9: Lobos-marinhos
A fauna marinha de Puerto Madryn é rica e observar os lobos-marinhos é uma das atrações da cidade. Entre os pontos para avistagem dos animais, está Punta Loma, onde você pode chegar tanto de bike – em uma trajeto longo por uma estrada de terra e pedregulhos – como com tour contratado em uma agência de viagens. Escolhi a primeira opção e passei o dia todo pedalando.

Outra ideia de como interagir com a vida animal local é um passeio de barco em que você pode nadar ao lado dessas criaturas. São várias agências que fazem os tours e prepare-se para gastar algumas centenas de pesos na experiência. Entre as empresas que trabalham com esse passeio, está a Aquatours Buceo.

A caminho de Punta Loma, na estrada de terra
A caminho de Punta Loma, na estrada de terra

Dia 10: Peninsula Valdés
Esse é um passeio que eu fechei direto com o hostel, incluiu transporte guiado até a península, passando por Puerto Piramides, Isla de los Pajaros, Punta Delgada e Punta Norte. Durou o dia todo e valeu muito a pena: vi pinguins de pertinho! Você pode ainda contratar o passeio de barco para avistagem de baleias em Puerto Piramides, um ponto famoso pelos espirros de água desses mamíferos gigantes.

Dia 11: El Doradillo
Alugue uma bike e pedale até a praia El Doradillo. O caminho pode ser um pouco cansativo, mas quando é que você vai voltar a Puerto Madryn? Tem que aproveitar! A praia faz parte de uma área protegida e é um excelente ponto para avistagem de baleias.

Dia 12: Despedida de Puerto Madryn
Aproveitei meu último dia na “porta da Patagônia” argentina para caminhar pelo centro da cidade, passear por lojinhas e pelo comércio local. No final do dia, embarquei para Rio Gallegos, cidade de parada até continuar o trajeto ao destino final: Ushuaia. Viajei novamente com a companhia Andesmar, em um trajeto que levou pouco mais de 17 horas na estrada.

Dia 13: Rio Gallegos
A cidade não tem muita coisa, mas é um ponto de parada necessário. Aproveite para descansar, esticar as pernas, passear pelo centro da cidade e fazer qualquer coisa para matar o tempo até o dia seguinte, quando acontece o embarque para o fim do mundo.

Dia 14: Na estrada
Peguei o ônibus com destino a Ushuaia pela manhã, operado pela companhia Tecni Austral. Foram pouco mais de oito horas de viagem até lá. Uma aviso importante: o caminho cruza a fronteira com o Chile, então, é importante apresentar comprovante de entrada na Argentina e documento de identificação. A passagem pela imigração chilena e retorno à Argentina consome um bom tempo da viagem. Chegando a Ushuaia, vários representantes de acomodações locais recepcionam os turistas recém-chegados e é fácil de escolher onde se hospedar.

Montanhas nos arredores de Ushuaia
Montanhas nos arredores de Ushuaia

Dia 15: Trilha pelas montanhas de Ushuaia
O passeio é de graça e te proporciona vista panorâmica de Ushuaia. As trilhas são demarcadas e não exigem acompanhamento de guia. Caminhei por cerca de seis horas até o “topo” (ponto mais alto que consegui chegar antes de ficar escorregadio demais) da montanha que é pano de fundo de Ushuaia. É importante usar calçados apropriados para a caminhada, pois alguns trechos ficam cobertos por neve.

Dia 16: Parque Nacional Tierra del Fuego
Do centro da cidade, partem ônibus em diferentes horários até o parque. Chegando lá, é preciso pagar taxa de entrada, e você pode passar o dia todo caminhando pelas trilhas do parque contornado pelo  canal Beagle. Atravessei mata fechada, beiras de lagos e clareiras deslumbrantes. O parque ainda conta com restaurante e loja de lembrancinhas para quem quiser fazer umas comprinhas. Para aproveitar bem, saia do centro de Ushuaia pela manhã: o passeio dura o dia todo.

Parque Nacional Tierra del Fuego, em Ushuaia
Parque Nacional Tierra del Fuego, em Ushuaia

Dia 17: Píer Muelle
Ushuaia é uma cidade ao pé de uma cadeia de montanhas, cheia de charme e belezas naturais. De um lado, os picos nevados e de outro o puríssimo azul do canal Beagle. A maioria dos visitantes tira uma foto na placa de “fim do mundo” de Ushuaia e ela fica pertinho do centro, na avenida principal da cidade. Caminhe às margens do canal Beagle e visite o píer Muelle.

Foto clássica em Ushuaia
Foto clássica em Ushuaia

Dia 18: Glacial Martial
A geleira fica a apenas sete quilômetros do centro de Ushuaia e está localizada a mais de 1 mil metros acima do nível do mar. Chegando ao pé da montanha, recomendo a subida de teleférico, a não ser que você esteja muito em forma para fazer essa caminhada super íngreme. Lá tem neve o ano todo – no inverno é uma estação de esqui – então, prepare-se para o frio. Fiquei encantada com a vista proporcionada do topo: uma combinação da pequena cidade de Ushuaia, com o canal Beagle ao fundo e picos nevados.

Dia 19: Museus e presídio
Além de restaurantes requintados, cafés, docerias e lojinhas com lembrancinhas que vão te machucar o bolso, o centro de Ushuaia tem uma parte cultural. Você pode visitar o Museo Maritimo e o antigo presídio de Ushuaia, com celas e corredores sinistros.

Dia 20: Tchau, Argentina!
Para não passar mais dias na estrada, peguei um voo saindo de Ushuaia até Buenos Aires, operado pela Aerolíneas, e de lá voltei para casa.

 

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