Como eu (quase) fiquei presa no aeroporto de Bangkok, na Tailândia

IMG_2662Sabe aquele ditado “o barato sai caro”? Se aplica 100% à história que vou contar a seguir. Pensei muito antes de compartilhar o ocorrido no blog, mas acredito que é uma forma de alertar quem está viajando para não cair na mesma roubada que eu caí. Depois de mais de um ano na Nova Zelândia, de meu mochilão pela Austrália e pela Ásia, perdi meu voo de Bangkok para o Brasil, passei mais de  24 horas no aeroporto e tive que comprar uma passagem de última hora, o que me custou mais de R$  5 mil (que tive a sorte de minha prima me emprestar).  Tudo isso por um mix de querer economizar, com inocência e, claro, burrice.

Eu estava na Nova Zelândia, ainda organizando minha viagem pela Austrália e Ásia, quando soube da possibilidade de comprar passagem “mais barata”. Não vou citar nomes aqui, mas a mãe da pessoa que estava viajando comigo – de confiança – conseguiu comprar uma passagem de Auckland para o Brasil por um preço abaixo dos que estavam disponíveis nos sites de passagens aéreas. Perguntei “como havia conseguido tal preço”. E a resposta foi que uma amiga, Nataly, tinha contato em uma agência de viagens e, por isso, tinha descontos. Nataly, então, a pedido da mãe dessa pessoa que estava viajando comigo (eu, sei pode parecer complicado), fez um orçamento para mim. O preço que ela conseguiu foi de R$ 2 mil para o trecho Bangkok – Brasil, pela Etihad.

A mãe comprava passagens com Nataly há anos e nunca teve problemas. O preço estava ótimo e eu nem pensei em desconfiar: erro meu. Nataly, então, passou os dados da conta bancária de Samir Leao Amud, que seria esse “contato” na agência de turismo, para eu fazer o depósito do valor. Eu fiz. Passados alguns dias, chequei no site da Etihad e parecia tudo certo. Só que eu embarcaria apenas em quatro meses e não conferi novamente se a passagem estava confirmada. Depois de toda a viagem, ansiosa para voltar para casa e fazer surpresa aos meus pais – já tinha armado um plano com amigas e minha prima para surpeende-los – quem foi pega desprevenida fui eu.

No check-in do aeroporto internacional de Bangkok, o funcionário da Etihad disse que eu só poderia embarcar caso apresentasse o cartão de crédito usado na compra da passagem. Óbvio que eu não tinha como fazer isso, e a opção dada foi entrar em contato com o agente de viagem, pedir a ele para ligar na central de atendimento da Etihad e liberar meu embarque sem a apresentação do cartão de crédito. Foi, então, que começou a novela. Minha prima, tia e amigas me ajudaram a fazer o contato com a “mãe”, já que eu não possuía qualquer telefone da tal de Nataly. A mãe se prontificou a ajudar e entrou em contato com a amiga Nataly, que iria entrar em contato com o tal de Samir para resolver o problema.

O tempo foi passando, 10 minutos, 20, 50, uma hora, uma hora e meia… Nenhuma solução. Minha paciência foi se esgotando, até que, por fim, consegui o telefone da Nataly e tivemos o seguinte diálogo:

– Ele já ligou para a Etihad?

– Ele está chegando no escritório e já vai resolver isso,

– Mas você disse isso há uma hora…

– Foi o que ele me disse, que está chegando.

– É só ele ligar lá e fazer a verficação do cartão, passar os dados e liberar o meu embarque.

– O problema é que ele não sabe qual cartão foi usado, ele está tentando descobrir.

– Como assim não sabe? Quantos cartões ele tem? Eu tenho os últimos digitos aqui, são XXX.

– Vou falar com ele. Mas não adianta você ficar me ligando toda hora, assim que eu tiver uma resposta eu te ligo.

– Não posso esperar. Me passa o telefone dele que eu ligo direto para ele.

– Ele não me autoriza passar o telefone dele.

– Como assim não? Me passa o telefone do escritório, da agência, sei lá.

– Não tem escritório, ele só compra passagens para conhecidos. Ele só comprou para você porque você é amiga da “mãe”.

Nesse momento, eu passei a suspeitar que algo de errado estava rolando. Minhas esperanças de embarcar me fizeram entrar em pânico e comecei a desconfiar de tudo. Nataly me disse que Samir usava milhas para comprar passagens aéreas com descontos, mas até então eu não sabia se isso era legal ou não, nunca tive milhas. A mãe me falou que nunca teve problemas com as passagens compradas, mas que não sabia como Nataly conseguia preços tão bons. Enquanto isso, minha tia entrou em contato com a Etihad e descobriu que minha passagem não estava confirmada, que o cartão usado na compra deveria ser “verificado” para concluir a compra e que, portanto, eu não iria embarcar. Samir, depois de mais de duas horas, ainda estava “a caminho do escritório”.

O tempo limite para o check-in estava chegando e eu já havia feito de tudo: gritado, implorado, ameaçado ir na embaixada, na polícia, tudo, tudo. Mas Samir ainda estava “resolvendo” o meu problema. Nataly parou de me atender. E a mãe achou que todo o meu estresse era um pouco exagerado e me pedia “calma”, “calma”. Perdi meu voo. Ainda não sabia quem estava errado na história – além de mim por ter caído nese golpe – então, mandei uma mensagem para a página no Facebook da Etihad dizendo o quanto estava decepcionada com a companhia. Um atendente entrou em contato com a equipe responsável em Bangkok e pediu para eu aguardar, que alguém iria me encontrar no ponto de encontro no aeroporto. Já estava sentada no chão há mais de sete horas, sem poder sair de lá e perder a chance de resolver meu problema.

Durante a espera, minha tia, minha prima e eu pressionamos Nataly e os atendentes da Etihad. Descobrimos que o número de passagens compradas com cartões fraudados tem aumentado e por isso a companhia tomou essa medida de segurança. Também que Samir usava milhas de outras pessoas – não sei se com ou sem consentimento – para adquirir passagens aéreas. Depois de mais de nove horas encostada no mesmo pilar do aeroporto de Bangkok, uma representante da Etihad veio me atender. Ela trouxe papeis impressos do e-mail que Samir teria recebido, dizendo que ele deveria “verificar” o cartão em até sete dias. O que ele não fez. E me indicou a cobrar meus direitos com a “companhia de viagem” que emitiu o bilhete.

Mais de 12 horas se passaram e Samir ainda não havia comprado uma nova passagem para mim. Nataly me dizia “ele está tentanto”, “está atrás de milhas para comprar sua passagem, mas está difícil”. Eu, sinceramente, não sei como ele faz para comprar passagens, se é um golpista – o que para mim é -, mas não entrava na minha cabeça como ele queria comprar um novo bilhete usando milhas se eu correria o risco de novamente não conseguir embarcar. O relógio foi correndo, 15, 18, 20 horas e nada. Samir ainda “estava comprando”. Eu estava completamente exausta, não só da espera, mas do estresse de cobrar uma atitude de Nataly, da raiva por ter comprado bilhetes com ela, da ironia da voz dela ao atender o telefone. Começamos, então, a ver outro jeito de eu voltar para casa. Eu não tinha cartão de crédito comigo, tampouco o valor de R$ 5.200 da nova passagem.

Depois de várias tentativas, minha prima conseguiu comprar bilhetes aéreos para embarque exatamente 24 horas depois do previsto. Até o momento em que pisei no avião, Nataly não se pronunciou com qualquer solução e, provavelmente, se o fizesse, diria que Samir ainda “estava tentando”. Quando voltei, depois de avisá-la que eu iria à polícia e ela seria a pessoa denunciada, já que era com quem eu fiz todo o contato, Nataly decidiu devolver meu dinheiro, os R$ 2 mil. Tenho todos os dados de Nataly e Samir, conversas registradas, tudo, mas esse tipo de denúncia, que envolve consumo, não pode ser feito na delegacia. A informação que obtive é que eu deveria abrir um processo no “Pequenas Causas” e aguardar anos para muito provavelmente nada ser feito.

Se não é pela Justiça, pelo menos tento alertar outros viajantes sobre a compra de passagens aéreas “mais baratas”. Sempre opte por empresas ou sites de confiança, para algumas coisas não é bom economizar.

 

21 thoughts on “Como eu (quase) fiquei presa no aeroporto de Bangkok, na Tailândia

    1. É Thais, nossa, foi um pesadelo! Fiquei pensando se valeria ou não contar, já que hoje em dia as pessoas compram passagens direto das cias aéreas, mas achei válido compartilhar, caso alguém tenha a mesma ideia que eu, para evitar roubadas, né?

  1. Compre sempre direto com a cia. aérea. Nos dias de hoje não é mais necessário atravessadores, como agências de turismo.

    1. Exatamente, Thiago. Fiquei ainda mais brava comigo mesma do que o resto. Foi um erro besta que causou muita dor de cabeça. Sempre, sempre, sempre direto com a companhia aérea. Mesmo que seja de pessoa conhecida, pode dar zebra…

      1. Tiago e Thais, uma agência de viagens idônea evita contratempos (como este) e te fornece uma consultoria, serviço, orientações que a cia. aérea não oferece. Infelizmente não é uma profissão regulamentada e qualquer “amigo da mãe” se auto entitula agente de viagens, o que prejudica muito o nosso negócio. Apenas para deixar o outro lado da moeda, aqui. Esse pessoal prejudica muito quem faz seu trabalho direitinho, que é muito mais do que emitir uma passagem (afinal isso, qualquer um faz, e como o Tiago pontuou, não requer o intermédio de ninguém), é realmente uma prestação de serviço, suporte e assistência ao viajante. É uma profissão nobre, linda e cheia de profissionais excepcionais.

        1. Olá Simone, tudo bem? Verdade! Essas pessoas que se passam por agentes de viagem atrapalham tanto os viajantes quanto o trabalho dos agentes de viagem! É ruim para os dois lados… Acredito que as pessoas que queiram auxílio para viajar devem sempre procurar agências conhecidas – e existem várias – mesmo que os preços não sejam tão atrativos como alguns “amigos da mãe” oferecem, né? É aquela história: o barato sai caro… e como sai. Minha melhor amiga é agente de viagem e quando tudo ocorreu, ela correu para me ajudar, me explicou o que (possivelmente) estava acontecendo e tudo mais. Ela só não comprou minha passagem de volta pois não tinha o valor, mas fez de tudo para me ajudar.

    2. Descordo totalmente com voce, Thiago. Hoje em dia, precisamente, nós agente de viagens somos as pessoas mais capacitadas para resolver esses problemas. Mas nós agentes de viagens, que somos graduados em Turismo; nesse caso, a busca eterna pelo barato que sempre sai caro.

      Infelizmente casos como esse acontece quase todos os dias, e não somente com brasileiros. Muitos sites também fazem essa manobra, e quando o cliente não tem mais a quem recorrer, vem diretamente para nós: agentes de viagens.

    3. Existem agências e pessoas que fazem passar por agências. As pessoas tem que buscar a idoneidade da agência. Cia aérea, vende bilhetes e não presta consultoria em viagens. Cuidado em generalizar

      1. Sim, é verdade. É importante optar sempre pela segurança, comprar de sites ou agências de confiança. Esse cara que me vendeu a passagem se passou por agência, mas claramente não era… ficou o aprendizado para sempre SEMPRE checar né?

  2. Obrigada por compartilhar a história. Na minha opinião, apesar de tudo vc deveria ir à polícia federal e denunciar este sujeito para que não aconteça com outras pessoas.

      1. Estou falando sério, é melhor denunciar isso na PF e depois abrir processo por danos morais, se bem que o cara e a mulher se encontram no exterior, dai não sei como procederia.

  3. Thaís, eu tenho uma agência de viagens e posso te explicar o que aconteceu: esta agência que te vendeu a passagem mais barata comprou milhas de alguém e as revendeu para vc por um valor muito menor do que o que efetivamente custava uma passagem paga. Esta prática (comércio de milhas) é proibida pelas cias aéreas. A cia aérea desconfiou e pediu a validação da emissão. O emissor sabia que havia feito algo incorreto, e ele não se importou em resolver. Deixou vc se lascar.
    Cada vez mais as cias irão pedir validação de emissão com milhas daqui para frente, pois o comércio de milhas aumentou muito nos últimos anos. Tem até propaganda na TV de empresas que compram milhas e as revendem (cara de pau!).
    Eu particularmente sugiro que vc entre sim na justiça. Vc tem muitas chances de ganhar. Isso pode ajudar outras pessoas que passarão pelo mesmo problema inadvertidamente. Isso também irá gerar jurisprudência, que ajudará a coibir este tipo de prática. Inclusive me disponho a te orientar gratuitamente em relação a este caso, na parte técnica/operacional, para que vc se desfaça desta má imagem de agências. Meu email está a tua disposição, e posso inclusive falar contigo por fone se precisar, é só vc me escrever que te ligo.
    Apesar da sua má experiência com esta agência, posso te afirmar que existem muitas outras agências sérias que se preocupam com seus passageiros e não os deixam na mão. Basta saber de quem comprar. 🙂

    1. Sim….. E tb a ação no pequenas causas não leva anos, quem disse isso?…. são pequenas causas, portanto, o processo é bem mais rápido. Um ano ou dois, no máximo..! eu processava!

  4. Só prá registrar.. Uma ação na justiça de pequenas causas não leva anos, ok?.. São pequenas causas, portanto, o processo é bem mais rápido.

  5. É lamentável ouvir sua historia. Esse mercado de milhas é muito comum…
    Entendo que vc está frustrada e cansada, e talvez nem acredite na justiça, mas mesmo que demore 10 anos, não deixe de processar, para que as pessoas aprendam que impunidade não reina para sempre, uma hora chega, faça a hora desse Samir a Nataly chegar, por respeito a vc mesma!

  6. Thaís, cada linha da sua historia me fez chorar e me emocionar. O mesmo ocorreu comigo em Maio deste ano. Moro em Dublin e comprei passagem com uma agencia chamada Oceanica Tur, com o agente Yuri. Minha irma realizou do Brasil uma transferencia bancaria para o cnpj da agencia. Fui para Bruxelas antes e de la pegaria meu vôo. Exigiram o cartao de credito do comprador, obvio que nao tinha. Ao tentar entrar em contato com yuri o mesmo ainda zombou da minha cara pedindo calma porque era carnaval e tudo era devagar. Emitiu após 6 horas uma nova passagem. Dormi no aeroporto sozinha. Às 4 da manha fiz meu check in com a nova passagem e aguardei o voo que seria somente as 19. Bagagens despachadas. Ap entrar no aviao fui barrada pelo mesmo motivo. Meu mundo caiu. O agente Yuri sumiu. Minha amiga de Dublin pagou uma nova passagem para eu voltar para la pois minha familia nao tinha dinheiro para comprar uma para o Brasil. Em Maio consegui juntar dinheiro e vir (comprei no site da companhia aerea), fui com miito insistencia em 3 delegacias e uma fez o BO que nao deu em nada. Dei abertura ao processo nas pequenas causas e o proprio funcionario disse que sera muito dificil fazer algo e que tera que aguardar meu retorno definitivo para o Brasil para marcar uma audiencia. O que posso fazer, assim como voce, é alertar o povo!!! Compartilho sua dor, sei como isso abala nossas estruturas. Estar longe nao é facil!

    1. Olá, Mariane, tudo bem? Nossa, poxa vida! É uma sensação sem igual né? Lembro que estava toda feliz, cheguei bem antes do horário no aeroporto, ansiosa para ir ao Brasil depois de quase um ano e meio fora… minhas amigas e minha prima organizaram um plano para eu surpreender meus pais e no final a surpresa foi é para mim. Demorou para cair a ficha, mas uma vez que cai vem o desespero. Também me deram essa informação de que infelizmente as chances de o processo ir pra frente são muito pequenas, quase nulas. Mas alertando as pessoas sem dúvida dá para impedir que mais pessoas caiam em golpes. E o aprendizado a ter muito cuidado ao comprar passagens, né? Fico feliz que tenha conseguido comprar uma passagem depois para ir ao Brasil. E obrigada por compartilhar sua hsitória aqui!!!!

  7. esse vagabundo compra passagens com cartao de créditos clonados, veio em minha loja “casa das milhas” e aplicou esse golpe… vagabundo da pior espécie

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