WWOOF na Austrália: trabalhe em troca de comida e acomodação

Eu, Marg e minha família em Melbourne

Mas, afinal, o que é esse tal de WWOOF? Fiz essa pergunta há alguns meses quando estava planejando minha viagem pela Austrália e a resposta é: World Wide Opportunities on Organic Farms. Basicamente, é uma rede em que viajantes trabalham (entre 3h e 5h diárias) em fazendas ou pequenas propriedades rurais em troca de alimentação e acomodação. Depois de pesquisar bastante sobre o assunto, decidi que essa seria a minha forma de trip pela terra dos cangurus. É muito importante checar a localização e os comentários sobre o lugar para onde se está indo, pois ouvi histórias de gente que ficou isolada sem acesso a telefone ou internet e com moradores não muito amigáveis. Eu tive muita sorte e vivi ótimas experiências, porém.

Na conta da minha passagem pela Austrália, tem perseguição por um porco gigante, ataque de formigas, “desmatamento” de plantas que não eram daninhas, mas acima de tudo um conhecimento de perto sobre a cultura aussie. Jamais me esquecerei do amor pela vida e positividade da Marg ou de nossa despedida de cinema na estação de trem, da Maree (ou Maria) que preparou pratos portugueses e fez chá com mel para minha garganta quando fiquei gripada, ou da Anne que me acompanhava toda noite até a minha casinha nos fundos pois eu tinha medo de encontrar uma cobra pelo caminho, ou ainda da minha primeira feijoada (digo, preparada por mim) na casa da Anita. Foi do caralho!

Bom, a primeira coisa que fiz para tornar o WWOOF possível foi me cadastrar no WWOOF Australia: paguei uma taxa de AU$ 70 (via website) e aguardei meu número de inscrição. Com esse número você tem acesso a todas propriedades que estão buscando “wwoofers” pela Austrália. Existem sites como Helpex também e outros do tipo. Defini que passaria dois meses, começando em Melbourne e seguindo por Narooma, Sydney, Byron Bay, Brisbane e Cairns, ou seja, percorrer a costa leste. Como meu principal objetivo era turistar, escolhi as chamadas “hobby farm” que são propriedades localizadas em áreas urbanas, no entanto que possuem um jardim ou animais precisando de cuidado.

Melbourne
A primeira “fazenda” que fiquei foi a melhor de todas. A propridedade não era bem em Melbourne, mas em uma cidadezinha vizinha chamada Gisborne, a apenas 40 minutos de trem do município famoso pela alta qualidade de vida. A acomodação fornecida foi uma casinha (separada da principal) com quarto, sala, cozinha e dispensa cheia de comida. E em troca eu fiquei com a tarefa de alimentar as dezenas de galinhas, quatro porcos, dois burros, algumas ovelhas, duas cabras e um cavalo, além de ajudar a Marg a buscar a comida para os bichos. O trabalho não me tomava mais do que três horas diárias. Passei nove dias fantásticos lá, e tive três de folga.

Narooma
Meu segundo destino foi Narooma, já na costa leste da Austrália. Viajei de ônibus até lá, saindo de Melbourne, por AU$ 140. A experiência foi um pouco diferente, fiquei em um hotel fazenda onde minha missão foi ajudar na “limpeza de primavera” (ou faxina profunda) das cabanas. Mãe e filho que tomam conta do negócio me disponibilizaram um quarto na casa principal e todas as refeições foram compartilhadas. A carga horária foi de quatro horas por dia e como a propriedade ficava a poucos metros da praia, pude aproveitar todas as tardes admirando o mar. Fiquei seis dias lá e tive um de folga para fazer um tour.

Laurence e Lousie em Narooma

Sydney
Depois dos dias monótonos na pequenina cidade, peguei um ônibus de Narooma até Sydney, por AU$ 56. Desta vez meu destino foi uma casa em Leppington, um bairro a 30 minutos do centro da maior cidade australiana. Novamente tive minha casinha privada, com suprimentos para o café da manhã. Almoços e jantares foram servidos “em família”. Sydney foi a cidade onde eu mais trabalhei, com jornadas de cinco horas em média. Minhas tarefas foram fertilizar árvores frutíferas, cuidar da horta e remover erva danina do jardim. Maree me ajudou e ensinou como fazer o trabalho na maioria das vezes. Fiquei oito dias nessa casa e tive três de folga.

Eu, Maree, Rebecca e John em Sydney

Byron Bay
De Sydney a Byron Bay fiz uma longa viagem de ônibus, por AU$ 92. A localização dessa casa, Tyagarah, era boa, a apenas 10 minutos da praia e principais atrações, o problema era o serviço escasso de ônibus na região. A acomodação disponibilizada foi uma casinha nos fundos, com quarto, sala, cozinha e banheiro. Todas as refeições foram servidas “em família”. O casal de moradores estava fazendo uma grande reforma para nivelar o terreno usando pás e rastelos, projeto em que eu ajudei, além de podar algumas ávores. Como em Byron Bay o sol forte e calor começam logo cedo, trabalhávamos pela manhã, entre 8h e 12h, e depois eu tinha o resto do dia de folga. Fiquei sete dias lá e tive dois de folga.

Anne e família em Byron Bay

Brisbane
A passagem de ônibus de Byron Bay a Brisbane custou AU$ 29. Sem dúvida, essa foi a casa mais bem localizada de todas, a 20 minutos (de ônibus) do centro de Brisbane. A família disponbilizou um quarto na casa e acesso à cozinha e dispensa. Narelle, meu contato no WWOOF, não me passou exatamente o que eu deveria fazer e provavavelmente se eu não me mexesse ela não iria se importar. No entanto, eu tomei a iniciativa de tirar toda erva daninha do jardim, assim como ajudar na construção do deck na área dos fundos. O sol em Brisbane após as 10h era de derreter, então eu costumava trabalhar três horas por dia pela manhã. Fiquei oito dias lá e tirei dois de folga para ir até Fraser Island.

Minha família em Brisbane

Cairns
Fiz o trajeto de Brisbane a Cairns de avião, paguei AU$ 158 na passagem pela Jetstar. Foi a casa mais afastada do centro em que eu fiquei durante esses dois meses, localizada em Speewah, a 30 quilômetros de Cairns, com serviço de ônibus bem restrito e sem recepção para celular. A acomodação oferecida foi uma caravan estacionada em frente à casa, abastecida com comida para o café da manhã. O problema dessa casa foi que a família passava o dia fora trabalhando e me deixava apenas com pão, queijo e presunto para café da manhã e almoço. Tive um desentendimento com o casal por conta disso, mas deu tudo certo no final.

Anita, meu contato no WWOOF, me passou um cronograma diário de tarefas que se eu seguisse trabalharia, sem dúvida, mais de seis horas diárias. O que eu fiz foi limitar meu tempo a quatro horas e fazer o que era possível nesse período. Entre meus projetos, estavam podar goiabeiras, fertilizar árvores frutíferas, tirar erva daninha do jardim e replantar algumas mudas. Passei sete dias lá e tive dois de folga.

Último dia com a família em que fiquei em Cairns

O preço da diária em um hostel na Austrália, em quarto compartilhado, é AU$ 20 (em média). Se você acrescentar a isso o gasto estimado de AU$ 30 por dia com alimentação, o custo dessa viagem seria de pelo menos AU$ 3 mil, sem contar os tours. Esse foi o valor que economizei. Se você está procurando um jeito barato para viajar, pode ser uma saída. Alguns hostels têm a proposta de trabalho em troca de acomodação, aí sobra somente o gasto com alimentação. De qualquer forma, não deixe de viajar!

14 thoughts on “WWOOF na Austrália: trabalhe em troca de comida e acomodação

  1. Muito bom! Acredito que irá ajudar muita gente a ter uma ideia real , com os prós e contras, do que consiste esse tipo de viagem.

  2. There are some interesting points in time in this article but I don’t know if I see all of them center to heart. There is some validity but I will take hold opinion until I look into it further. Good article , thanks and we want more! Added to FeedBurner as well

  3. Adorei seu post!! Há tempos procuro alguém que pudesse relatar a experiência na farm e até então não havia encontrado. Eu farei intercâmbio por 6 meses em Sydney e gostaria de economizar com moradia através da vida na farm ou trabalhando em hostel, mas também vou precisar trabalhar as 20h semanais enquanto estudo. Pelo que você viveu é possível trabalhar na fazenda e na cidade? Vou estudar a noite então terei o dia livre. Obrigada!! Parabéns pelo seu blog!! Beijoss

    1. Olá Débora! Como vai? Obrigada por acompanhar o blog! E fico contente que esteja vindo para a Austrália! Você pode procurar propriedades rurais pequenas que sejam proximas a estações de trem, por exemplo, e poderá trabalhar para o proprietário por algumas horas, economizando em comida e moradia. 🙂 No caso de trabalho em hostel, você geralmente trabalha por algumas horas também em troca de moradia, a vantagem é que eles ficam na cidade, em pontos de fácil acesso, a desvantagem é que a acomodação geralmente é em quartos compartilhados e não tem comida 🙂

      1. Oláá!! Muito obrigada pelo retorno =) Estou animada com a viagem e quero ir ainda esse ano!! Um amigo que mora em Sydney disse que as fazendas são muito afastadas e que isso dificultaria a ida para a escola e para o trabalho. Sendo perto de estação de trem fica viável então? Qual seria o primeiro passo para eu pesquisar sobre a localização e o tempo de estadia na fazenda? Me inscrever no WWOOF? Quando chegar em Sydney vou ficar na cassa desse meu amigo até encontrar um local para morar (que terá que ser logo). Sendo assim, você me recomenda pesquisar pelo WWOOF antes de ir ou quando estiver lá? Ir na fazenda pessoalmente é melhor? Muito obrigada. Te desejo o melhor =)

        1. Olá Débora, como vai? Então, será sempre um pouco mais afastado, mas tem lugares que em 40 minutos/1 hora vc já está no centro, usando transporte público. Mas é importante ter em mente que você vai ficar com o dia bem corrido, caso queira fazer o wwoof, estudar e ainda ter um emprego diário. O primeiro passo é você entrar no site do WWoof da Austrália, se inscrever e começar a procurar as vagas. Você consegue selecionar por região (cidade) que quer trabalhar e as fazendas disponibilizam endereço, acessibilidade por transporte público, etc… aí dá para ter uma ideia de quanto tempo vc gastaria até o centro de Sydney. Mas caso vc não faça questão de estudar em Sydney mesmo, tem outras cidades menores onde vc pode estudar… Algumas mais perto de propriedades inscritas no Wwoof. Byron Bay, Brisbane… são cidades que fiquei bem perto do centro quando fiz Wwoof. E tem as menos populares… Shepparton, Echuca (que ficam a cerca de 200 km de Melbourne).

          1. Olá!!! Muita obrigada pelas suas informações, querida!! Estão sendo de grande ajuda!!! Obrigada de coração pela sua atenção!! Continuarei acompanhando o blog =) Super beijo!!!

          2. Obrigada, você, Débora. É um prazer poder ajudar… Mais pra frente, se precisar de ajuda para encontrar fazendas, me dá um toque, que eu vejo se tem lugar na que eu fiquei… 🙂

  4. Have you ever considered creating an ebook or guest authoring on other sites?
    I have got a blog centered about the same topics you discuss and would
    love to obtain you share some stories/information. I know my audience would value your
    job. If you are even remotely interested, feel free to
    shoot me an e mail.

  5. Que delicia esse post!!!!!!

    Só tenho uma duvida. Em relação ao visto.
    Como é o processo?

    Estou morando na Índia atualmente e passarei 2017 viajando e dentre as opções pretendo fazer o wwoof. E caso consiga na Australia, fico apreensivo quanto ao visto.

  6. Olá, adorei o post!

    Achei muito interessante esta maneira de viajar e econimizar mais e pouco e principalmente vivenciar a cultura de perto. mas tenho uma dúvida em relação ao idioma, eu preciso saber falar inglês fluente para conseguir viajar pela WWOOF?

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *