Auckland: a vida na pequena maior cidade da Nova Zelândia

Quay Street, Auckland, na Nova Zelândia

Auckland é o primeiro destino para a maioria dos estudantes e turistas na Nova Zelândia. É a maior cidade, com 1,4 milhões de habitantes, localizada na Ilha Norte, onde o mercado de trabalho é mais convidativo e a vida noturna é mais badalada. As atrações combinam praias, montanhas, parques, museus, galerias de arte, ações culturais nas ruas, bares e restaurantes típicos de diferentes lugares do mundo. Auckland é cosmopolita, tem as facilidades de uma cidade grande, mas por outro lado tem muitos imigrantes e será mais fácil cruzar com indianos, chineses, filipinos e latinos do que com os neozelandeses, pelo menos no que diz respeito ao centro.

Apesar de ser a maior cidade da terra dos kiwis, Auckland é pequena. É comum você encontrar conhecidos nas ruas, as mesmas pessoas todos os dias nos pontos de ônibus ou caminhando na Queen Street – a principal avenida do centro. O comércio fecha cedo e muitos restaurantes não funcionam aos domingos, todavia logo você se acostuma com o ritmo de vida diferente e muito mais tranquilo para quem está habituado à loucura paulistana. Bom, já faz quase um ano que estou em Auckland, e separei alguns pontos de como é a vida por aqui.

Atrações turísticas

Ao chegar a um lugar novo, até mesmo o movimento de pessoas nas ruas é uma atração. O centro de Auckland, onde a Queen Street é a principal avenida, é onde estão lojas de roupas, sapatos, eletrônicos, também restaurantes e bares – a maioria nas ruelas transversais da Queen. Do centro, é possível chegar a praias como Takapuna, em North Shore, ou Mission Bay, na Tamaki Drive, em cerca de 15 minutos. Gastando algum tempo extra, você pode explorar outras praias menos famosas como Point Chevalier ou Long Bay, ao norte de Takapuna. Ou ainda pegar o ferry na Quay Street à charmosa praia de Devonport, à ilha vulcânica Rangitoto ou fazer um dia de tour pela ilha Waiheke. Ou seja, diversão é o que não falta no verão.

Takapuna beach, em Auckland

Auckland é cercada por cerca de 50 vulcões adormecidos e o cume dessas montanhas são excelentes pontos de vista panorâmica para a cidade. O mais famoso deles é o Mount Eden, a cerca de 20 minutos do centro. Além das praias e vulcões, Auckland é recheada de áreas verdes, e se teve uma coisa que aproveitei aqui foram os parques, seja fazendo churrasco no Cornwall Park e no Coyle Park, ou apenas curtindo o sol no Albert Park ou Victoria, os dois últimos localizados no coração do CBD. Nos dias mais cinzentos, vale uma visita ao Auckland Domain, à maior galeria de arte da Nova Zelândia, a Toi o Tāmaki, ou ainda apenas caminhar pela Queen Street e observar as apresentações dos vários artistas de rua.

Restaurantes
Sem sair do centro, você poderá provar pratos típicos de vários países. Na Queen Street e arredores, encontrará restaurantes japoneses e variedades do famoso ramen, os dumplings chineses, os kebabs turcos, os curries indianos, os diferentes pad thai tailandeses, as massas italianas, os criativos pães franceses, os tacos e burritos mexicanos, e hamburguerias famosas como Wendy´s, Carl´s Jr, a neozelandesa Burger Fuel e a minha favorita, a Better Burger. Você encontrará ainda opções na K Road, onde funciona um restaurante vegetariano bem interessante, o Rasoi, e na Symonds Street, onde poderá provar “o melhor sushi de Auckland” no Bian Sushi & Donburi (eu não como sushi, por isso as aspas).

Churrasco no Cornwall Park
Refeição no The Mexican Cafe
Praça de alimentação na Queen Street

Nos arredores da região central, a Ponsonby Road é local de restaurantes mais refinados, alguns bistrôs e uma praça de alimentação com cozinhas de diversas nacionalidades. A Dominion Road, já no bairro Mount Eden, tem estabelecimentos chineses, indianos e hamburguerias. Em Kingsland, a 15 minutos do centro, você pode saborear uma costela de porco e outros quitutes em um dos PUBs da New North Road. Eu recomendaria as batatas fritas do Burger Fuel, o hambúrguer do Better Burger, a pizza do Sal´s Pizza (imperdível) e a da Hell Pizza, os pratos mexicanos servidos no almoço no The Mexican Cafe (gostosos e baratos), os dumplings de um dos chineses na Dominion Road, a panqueca chinesa na Lorne Street, o butter chicken do Bolliwood, o “fish and chips” do Fish Market, a costela de porco do The Kingslander, e tantos outros que fariam essa lista longa demais.

Penso que a facilidade de acesso a tantas cozinhas típicas faz de Auckland um “prato cheio” para experiências gastronômicas. É claro que as pizzas de NZ$ 5 da Pizza Hut e Domino´s podem pesar na decisão ou as promoções dos combos nas redes de fast-food parecerem muito mais compatíveis ao orçamento, mas vale gastar um pouquinho a mais para provar essas delícias. Cozinhar é sempre a opção mais barata e depois de ampliar o conhecimento gastronômico dá até para arriscar algumas receitas diferentes. Eu aprendi a fazer curry vegetariano e fiz muitos tacos em casa, rs.

Baladas

Não sei se foi só comigo e com as pessoas que conheci, mas o primeiro lugar que frequentei foi o famoso Provedor, conhecido por ser o bar dos estudantes. Tenho que confessar que as opções de vida noturna não são tão variadas como no Brasil. Na região do porto, Waterfront, você vai encontrar baladas e bares, como Wildfire, Provedor, o Lenin, o Bungalow, entre outros. Escolhi a região para animar algumas noites, mas tenho que confessar que nenhum dos lugares me apeteceu, não gostei do clima, das músicas e menos ainda dos preços. Se o seu negócio não for muita badalação, encontrará alguns PUBs charmosos nas travessas da Queen St.

Outra opção é a K Road, um lugar mais alternativo de Auckland, onde estão as baladas gays, de hip hop, bares mais descontraídos e tal. É como se fosse a Augusta de São Paulo, em proporções bem menores, é claro. A diferença de ambiente entre as baladas na Waterfront e as que acontecem na K Road é gritante e eu, particularmente, prefiro a segunda opção. Para quem quer algo mais tranquilo e com público um pouco mais velho, Ponsonby é uma alternativa. Se eu fosse comparar os “points noturnos” daqui com os de São Paulo, diria que Waterfront tem um clima Vila Olímpia, K Road me lembra o centro e a Augusta, e Ponsonby é uma mistura de Vila Madalena com Jardins.

Moradia e Transporte

Morar é caro e o transporte público também. O custo de vida em Auckland é alto. Apesar de ter mais ofertas de emprego, morar na maior cidade da Nova Zelândia tem seu preço e não é um lugar fácil para juntar muito dinheiro. Os valores de aluguel de apartamentos no centro variam de NZ$ 300 semanais – uma caixa minúscula para duas pessoas – a quanto você puder pagar. Mas ao escolher viver um pouco mais longe, deve considerar o gasto com passagem de ônibus que pode chegar a NZ$ 5 por trecho facilmente. É claro que você pode optar por comprar um carro – é ridiculamente barato adquirir um automóvel por aqui – mas, então, conte com gastos de combustível e estacionamento, já que no centro é difícil achar uma vaga grátis para deixar o possante.

Eu optei por morar os seis primeiros meses no centro, em uma “caixa” por NZ$ 150 por pessoa por semana. Fazia tudo a pé, o que me ajudou a economizar tempo e dinheiro com passagens. Passei os outros seis meses em Eden Terrace, um bairro próximo ao centro, cerca de 30 minutos a pé do coração de Auckland, onde consegui um apartamento de tamanho bom para dividir com mais três pessoas, por NZ$ 130 por semana. Apesar de morar em um lugar mais aconchegante, foram muitos ônibus e caminhadas longas ao trabalho. O preço da passagem custava NZ$ 1,70 por trecho usando o Hop Card – espécie de bilhete eletrônico que dá desconto nas viagens, no meu caso de quase NZ$ 1 em comparação com o preço que eu pagaria em dinheiro.

Bairros como Parnell, Ponsonby, Mount Eden e Kingsland podem oferecer apartamentos melhores pelo mesmo preço – dividindo com outras pessoas, é claro – que as caixas do centro. Mas no final das contas não há muita diferença na questão financeira. Fica a critério de cada um analisar as próprias prioridades, se é morar em um lugar legal, porém um pouco distante do centro, ou viver em um apartamento pequeno com a comodidade de estar no coração da cidade.

 

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