Meu primeiro cruzeiro: resort em alto-mar e degustação de destinos

Oasis of the Seas

Nunca tive o sonho de viajar de navio, era muito mais vontade da minha mãe fazer um cruzeiro marítimo. Ela sempre gostou de qualquer transporte “seguro” sobre as águas (quando coloco aspas é porque uma vez passeamos de jangada, eu e ela, em Fortaleza, e não acho que foi das coisas mais seguras para uma criança, embora bastante divertida). Ainda não tive a oportunidade de levá-la, está na minha lista de pendências. Bom, o convite surgiu no trabalho e, como estreante, comecei bem: sete dias a bordo do maior navio de passageiros do mundo, o Oasis of The Seas, com paradas em Bahamas, St. Thomas e St. Marteen. Como já escrevi posts sobre esses lugares maravilhosos, vou me concentrar no navio.

“Leva roupa arrumadinha para a noite, habilita seu cartão de crédito para uso internacional, compra dólares, leva remédio para enjoo, sempre coma o pãozinho da mesa de jantar porque ele ajuda a passar o enjoo”, foram os primeiros conselhos que recebi da Giovana Lima, uma grande amiga. Formada em turismo, ela me deu uma espécie de consulta pré-cruzeiro. Me contou que acontecem jantares de gala, que os cartões “travel money” geralmente não são aceitos, que as bebidas – além de água e refrescos – são pagas,  que tudo é cobrado em dólar e que eu deveria levar uma troca de roupa na mala de mão, pois a “oficial” demora para chegar à cabine. Segui praticamente todos os conselhos.

Área central do navio inspirada no Central Park de Nova York

Fiquei insegura quanto ao limite do meu cartão de crédito e comprei US$ 700. Recomendo até levar um pouco como reserva, mas é muito mais prático acertar a conta da cabine quando se opta pelo pagamento no cartão, pois eles fazem o débito automático, se autorizado pelo passageiro no check-in. Eu optei por pagamento em dinheiro e tive que pegar fila para acertar a conta no final da viagem. Outra dica: US$ 700 é uma quantia exagerada, descobri isso ao longo da viagem e tive prejuízo na volta ao vender minhas notinhas na casa de câmbio.

Jacuzzis e piscinas estavam entre as atrações

Uma troca de roupa na mala de mão foi a salvação do primeiro dia. Saímos de um tempo nublado e fresco em São Paulo, para o calor de 30°C de Miami. Ainda na espera para entrar no navio, coloquei bermuda e chinelos. Não só a mala demora a chegar, como também a cabine não é liberada logo que os passageiros sobem a bordo. Sabendo disso, fomos almoçar no Solarium Bistro – um restaurante com comidas saudáveis, vista para jacuzzis e com o mar azul como pano de fundo. Eu estava querendo algo com mais “sustância”, mas me contentei com saladinha e frango. Meus companheiros de viagem provaram funghi e elogiaram bastante. Pedi uma cerveja (US$ 8 + taxas) para refrescar.

Simulador de surf

Como disse no início, comecei bem para minha primeira viagem em alto-mar: piscinas, jacuzzis, simulador de surf, tirolesa, parede de escalada, pista de patinação no gelo, cassino, dois teatros, karaokê, pub, balada, academia e pista de corrida são algumas das atrações do navio. Depois de descansar na suíte com vista para o “Central Park” – uma área arborizada no centro do navio inspirada no parque nova-iorquino – agendei alguns shows pela TV da cabine (é muito importante fazer isso no primeiro dia) e fui ao treinamento para emergências, que é obrigatório. Andamos um pouco pelo navio e fomos nos preparar para o jantar, que aconteceu todas as noites no restaurante principal, o Opus. Lá a comida é uma delícia e o cardápio é diferente a cada dia.

Dança dos garçons do restaurante principal, o Opus

Falando um pouco em comes e bebes, uma dica: no primeiro dia é possível comprar pacotes de bebidas que incluem refrigerante, cerveja, sucos e drinques. Se a ideia for não passar vontade, vale a pena comprar uma das opções. Fora isso, os restaurantes que estão incluídos – como o Wipe Out (que serve hambúrguer e especialidades tex mex), o Café Promenade (que serve lanchinhos e sobremesas) e o Sorrentos (especializado em pizza) oferecem água, chá e café à vontade o dia todo. Ainda existem máquinas de sorvete espalhadas pelo navio para espantar o calor.

Apresentação de patinação no gelo

Ainda sobre quitutes, recomendo o brownie e lanchinhos frios do Café Promenade, o chilli e cachorro-quente do Wipe Out e o café da manhã do Windjammer. Se o estômago não estiver muito bom, o Solarium Bistrô é a melhor escolha. Das opções pagas, vale a pena almoçar do Giovanni’s Table, que serve comida italiana, e participar de um “jantar degustação” no 150 Central Park: uma série de entradas, pratos, sobremesas e vinhos harmonizados. Um garçom explica detalhes sobre os pratos e bebidas, mas não demos sorte e pegamos um ucraniano (acho) que pronunciava um inglês muito duro para os meus ouvidos.

Em sete dias, consegui aproveitar apenas algumas trações do navio, como as jacuzzis, academia e o karaokê – meu compromisso de todas as noites logo que descobri o concurso de talentos. Na minha lista, estavam o simulador de surf, pista de patinação no gelo, parede de escalada e tirolesa, mas ficaram para a próxima vez. Por outro lado, em relação a espetáculos acompanhei até mais do que o planejado: assisti show de patinação no gelo, o musical Hairspray, duas apresentações no Aqua Theater e o musical Come Fly With Me, com acrobacias maravilhosas e passos de dança.

Máquina Zoltar que ficou famosa no filme Quero ser Grande. Fiquei encantada!
Máquina Zoltar que ficou famosa no filme Quero ser Grande. Fiquei encantada!

Sobre os serviços, tudo que é comprado no navio tem taxas. É possível pedir para o café da manhã ser entregue na cabine, mas todo consumo do frigobar é pago à parte.  O cartão de acesso da cabine funciona como identidade no navio, todas as compras nos restaurantes são feitas com ele, assim como é preciso apresentá-lo para embarcar no navio nas paradas. O serviço de arrumação e limpeza é ótimo e todos os dias recebi um jornalzinho informativo sobre as atrações do dia seguinte e da cidade em que estávamos. A internet é paga e o preço não é nada amigável, por isso, se quiser atualizar as redes sociais ou se comunicar com a família, prepare-se para gastar um pouco a mais. Como fui a trabalho, tive alguns minutos grátis.

 

 

Minha impressão do primeiro cruzeiro é de que viajar de navio é ótimo para aproveitar uma espécie de “resort em alto-mar”, pois o turista tem acesso a várias atrações de lazer. Mas, para conhecer lugares diferentes não é o tipo de viagem ideal, pois as paradas são curtas e em poucas horas é impossível conhecer destinos como Nassau, St. Thomas e St. Marteen. Eu gostaria de passar pelo menos uma semana em cada um desses lugares, então, para mim, foi como uma degustação que abriu apetite de quero mais.

Carrossel com peças feitas manualmente

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