Trem da Morte na Bolívia: viagem até Santa Cruz de la Sierra

Fiz esta viagem, até Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, em 2009, como mochileira. Não é um destino turístico usual, mas estava escrevendo um livro sobre o “trem da morte” e mergulhei no trajeto. Só tenho algo a dizer: chorei ao ir embora e fiz planos para morar lá. É bastante comum pessoas torcerem o nariz quando escutam falar sobre uma trip ao país: puro preconceito e perda da oportunidade de conhecer lugares lindos e pessoas para lá de especiais.

Saí de São Paulo, da estação Barra Funda, com um ônibus da viação Andorinha com destino a Corumbá. (R$ 350 ida/volta e 22 horas por trecho)

Da porteira do Pantanal, peguei um ônibus para atravessar a fronteira, a cerca de 20 minutos da estação. Uma coisa importante: para entrar na Bolívia é exigido o certificado da Anvisa da vacina de Febre Amarela. Chegamos em Puerto Quijarro e lá foi  fácil encontrar a estação de trem.

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A viagem no antigo e famoso trem da morte começou ali. O turista pode escolher o Trem Regional ou popular, que leva 19 horas até o destino, com paradas nos povoados durante o trajeto, e tem as classes: popular, com bancos pretos de couro não reclináveis e a Pullman, que é o dobro do preço e tem bancos reclináveis. Também dá para viajar no Expresso, que leva quatro horas a menos e tem bancos bem estofados ou de Ferrobus, um trem de luxo com alimentação incluída, serviço de bordo, sem paradas e que chega em 12 horas a Santa Cruz de La Sierra.

A escolha fica a critério de cada um, eu escolhi o Trem Regional: mais barato e com direito a viver uma aventura. A primeira dica é levar comida e bebida durante a viagem, pois o trem para apenas em alguns vilarejos que vendem empanadas, churrasquinho, frango ao óleo com batata e limonada – tudo produzido pelo povoado local. Claro que a descoberta foi na prática, então, provei tudo o que foi vendido pelo caminho, ou quase tudo.

Leve blusa de frio, pois à noite, no meio do nada, o frio é de congelar – isso, pois é impossível deixar as janelas fechadas por causa do cheiro do banheiro.  Enfim, vou acelerar até Santa Cruz: chegamos em pouco mais de 20 horas. A primeira impressão da cidade não foi das melhores, o trânsito era uma bagunça: (quase) não vi semáforos e o pedido de passagem era a buzina que fazia uma sinfonia nos cruzamentos. Mas, bastou algumas ruas para a paisagem arborizada, limpa, o céu azul e o brilho do sol encantarem.

Fui recebida por um boliviano, cujo apelido é Waso: um super anfitrião!  Deixamos a mala na casa dele e seguimos para um restaurante brasileiro no centro da cidade. A comida estava uma delícia e o preço, ótimo! Já que entramos no assunto, uma comida típica que não pode ser deixada de lado é a salteña (uma espécie de fogazza assada recheada de carne ou frango): os bolivianos costumam comer no café da manhã, mas eu adotei para várias refeições.

Durante o dia, dá para circular pela cidade, visitar parques e, para quem gosta e anda, existem pistas de skate e um canal bacana para manobras. No centro da cidade, uma feirinha vende produtos de todo tipo a preços baixíssimos (vale conferir) e os mercados bolivianos sempre têm variedade de comércios, além de opções de restaurantes. À noite saímos para vários “boliches” (como eles chamam os barzinhos), quase um pub crowl, e alguns até tocaram músicas brasileiras, lembro-me de ouvir uma do Natiruts.

O “drink oficial de Santa Cruz”, segundo Waso, é a cuba libre – vendida em garrafas pet de dois litros no mercado: compramos um suco de limão, misturamos e listo! A mistura dá origem a uma bebida doce, mas logo o paladar se acostuma. Agora, um aviso muito importante: não beba em vias públicas na Bolívia. Digo isso por experiência própria: estávamos em uma praça saboreando cuba libre quando chegaram dois policiais. Eles conversaram com Waso, pediram para entrarmos no carro, assumiram o volante e seguiram à delegacia. A confusão custou $ 100 negociados com os policiais.

Brasileiro tem em todo lugar e lá não é diferente. Muitos moram em Santa Cruz para estudar medicina e outros cursos, sempre bem recebidos pelos bolivianos.  Waso apresentou seus colegas e fomos a festas que deixaram a boa impressão dos moradores de Santa Cruz: festivos, bem humorados e amigos.

Para saber por que o trem se chama Trem da Morte e ter mais detalhes sobre o trajeto, leia o livro As Vozes de uma Lenda.

Viagem de Puerto Quijarro até Santa Cruz de La Sierra no Trem da Morte, na Bolítiva (Foto: Fábio Padilha)
Viagem de Puerto Quijarro até Santa Cruz de La Sierra no Trem da Morte, na Bolítiva (Foto: Fábio Padilha)
Viagem de Puerto Quijarro até Santa Cruz de La Sierra no Trem da Morte, na Bolítiva (Foto: Fábio Padilha)
Viagem de Puerto Quijarro até Santa Cruz de La Sierra no Trem da Morte, na Bolítiva (Foto: Fábio Padilha)
Viagem de Puerto Quijarro até Santa Cruz de La Sierra no Trem da Morte, na Bolítiva (Foto: Fábio Padilha)
Viagem de Puerto Quijarro até Santa Cruz de La Sierra no Trem da Morte, na Bolítiva (Foto: Fábio Padilha)
Viagem de Puerto Quijarro até Santa Cruz de La Sierra no Trem da Morte, na Bolítiva (Foto: Fábio Padilha)
Viagem de Puerto Quijarro até Santa Cruz de La Sierra no Trem da Morte, na Bolítiva (Foto: Fábio Padilha)
Viagem de Puerto Quijarro até Santa Cruz de La Sierra no Trem da Morte, na Bolítiva (Foto: Fábio Padilha)
Viagem de Puerto Quijarro até Santa Cruz de La Sierra no Trem da Morte, na Bolítiva (Foto: Fábio Padilha)

One thought on “Trem da Morte na Bolívia: viagem até Santa Cruz de la Sierra

  1. Eu estou pretendendo vijar com a minha amiga a Carlitta!
    Estamos muito interessados em fazer essa trip e acho que vale super apena um fervo mais caliente.

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